O avanço do período de estiagem no Vale do Juruá já causa impactos diretos na navegabilidade do Rio Juruá e de seus afluentes. Na manhã desta quarta-feira (05), o nível do rio em Cruzeiro do Sul marcou a cota de 4 metros e 53 centímetros, mantendo uma tendência contínua de vazante para as próximas semanas.
O fenômeno natural exige atenção redobrada de tripulantes e passageiros de embarcações de pequeno e grande porte que realizam o transporte de pessoas e o abastecimento de suprimentos para municípios isolados, como Marechal Thaumaturgo e Porto Walter, além do trecho do Baixo Juruá em direção ao Amazonas.
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De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros no município, Josadac Cavalcante, o mês de agosto é historicamente um dos mais críticos do verão amazônico, o que eleva a incidência de acidentes e encalhes.
“Com o nível baixo das águas, aumenta consideravelmente o risco de colisões tanto com bancos de areia quanto com troncos fincados no leito do rio e encobertos pelas águas. A nossa principal orientação aos pilotos é que redobrem a atenção, evitem a navegação noturna — que potencializa acidentes dessa natureza — e evitem o excesso de peso nas embarcações, um dos principais fatores para os naufrágios atendidos pela corporação”, alertou o comandante.
Atenção reforçada durante a piracema
Outro ponto de atenção destacado pelo Corpo de Bombeiros é a subida dos peixes (piracema), fenômeno característico desta época do ano que atrai centenas de pescadores profissionais e artesanais às margens e ao leito dos rios da região.
A grande concentração de pessoas e de pequenas embarcações disputando espaço no canal principal cria cenários de perigo, especialmente quando associada a comportamentos de risco.
“Observamos um aglomerado muito grande de embarcações onde o cardume está passando. Pedimos cautela aos pescadores com a condução dos motores e com o uso de bebida alcoólica. Além disso, é preciso evitar o mergulho para desenroscar redes e tarrafas em galhadas no fundo do rio, uma prática extremamente perigosa que já resultou em acidentes fatais em anos anteriores”, concluiu Josadac Cavalcante.